Lembranças e sentimentos do meu primeiro Iron Man

17 de janeiro de 2017 | Comentar

Você já correu 5 km? Já correu 10 km? Uma meia-maratona (21km) ou uma maratona 42(km)? O que acha de nadar 3.8km no mar, pedalar 180km com um forte vento contra e depois ainda correr 42km num sol escaldante? Impossível?

Se me fizessem essa última pergunta há 3 anos eu diria que para mim era absolutamente impossível!
Ai fui conhecendo a corrida, depois o triathlon e me apaixonando por essa nova forma de viver. No começo eram só corridas de 5 e 10km. Elas foram tornando-se pouco para o meu corpo. Já queria uma meia maratona (21km). Uma maratona (42km).
Veio o triathlon. Um Sprint (750m de natação, 20km de pedal e 5 km de corrida). Um Olímpico (1.500m, 40km e 10Km). E desejei um Iron Man 70.3 (1.900m, 90km e 21km).

Quando fiz o primeiro 70.3 em Miami, disse que não desejava um Iron inteiro (3.800, 180km e 42km). Não era sadio, maltratava demais o corpo. Mas como explicar isso para uma mente inquieta, movida a desafios e disposta a enfrentar os seus limites. Não resisti.

Desde o momento que decidi fazer um Iron Man completo sabia o quanto seria difícil compatibilizar a rotina da vida com a rotina de treinos. Para provas de longa distância é essencial disciplina para treinos longos. Isso exigiria renúncias, a madrugada, inclusive dos sábados e domingos, passaria a ser minha parceira de treinos.

Tão ou mais difícil que a prova é a carga de treinos. Na prova você descansa nos dias anteriores e está focado apenas nisso. No treino, se você percorre distâncias um pouco menores que as da prova, o acumulo de 6 dias na semana com apenas as segundas de descanso, combinado com a rotina profissional, política e familiar do dia-dia, é bastante desgastante.

Dois momentos foram cruciais na minha preparação.

Um sábado, tendo que pedalar 4 horas e depois correr 30 minutos, descansei pouco na véspera e ao final do pedal não tive forças para a corrida. Aquilo me abalou. Tive dúvidas se seria capaz de enfrentar uma prova tão dura. Restavam dois caminhos: desistir ou persistir.

Nessas horas lembramos de todas as barreiras que a vida nos impõe, de tantas vezes em que era mais fácil ou mais cômodo desistir, tantas vezes em que a vida parece te provocar para desistir. Era como se ouvisse aquele grito do filme Tropa de Elite: “Pede pra sair”! Mas, não!

Eu não aprendi a desistir. A vida não me ensinou a desistir. A minha mente resgatou com força os momentos de superação na vida. Perdi meu pai com 12 anos e não aprendi a desistir. Perdi a minha filha com apenas 3 meses de vida e a não aprendi a desistir. E é essa força que me move na vida e no esporte a andar sempre pra frente.

Esfriei a cabeça. Treinei um pouco mais leve no domingo. Descansei na segunda. Cumpri minha planilha de treinos e segunda a sexta, dormi cedo na sexta e fiz um pedal de 5 horas no sábado seguinte. Abri mão da corrida depois. Eu estava pronto. Meu corpo e a minha alma estavam fortes e prontos para o desafio. Era só esperar a hora.
Conversando durante um treino de pedal com amigos que também fariam a prova, refletimos que ela precisaria simbolizar, além do desafio pessoal e físico, uma causa.

Motivados pela luta do filho de um do que estariam na prova conosco e pelo belo trabalho do Instituto Alguém, decidimos que iríamos raspar a cabeça para que o nosso Iron Man fizesse as pessoas refletirem sobre a luta das crianças contra o câncer.

Na véspera de viajar fomos todos raspar a cabeça. Quase todos. Eu fora demovido da ideia de raspar porque teria a gravação um programa partidário e um evento político partidário logo após a prova. Fora eu que cortei o cabelo bem baixo, mas não raspei, todos rasparam a cabeça com a máquina zero. Tínhamos uma causa o que dava um sentimento especial para aquele desafio.

A ansiedade desde arrumar a mala para não esquecer nada. Para não correr riscos decidi fazer a arrumação por modalidade. Natação: touca, óculos, tapa ouvido, bermuda; Ciclismo: sapatilha, capacete, camisa, óculos, garrafas para água e a bicicleta, é claro; Corrida: tênis, meia, camisa, viseira. Comidas e suplementos são necessários, mas deixei para comprar já em Fortaleza.

A viagem para um Iron Man tem um clima especial. Um pouco de alegria, uma pouco de medo, um pouco de receio, um muito de expectativa e muito de sonhos e um quê de renovar esperanças e forças para seguir no esporte e na vida.

Já viajei para corridas e nas viagens para corridas, salvo se você viajar com um grupo grande que chame a atenção, são passageiros como quaisquer outros. No triathlon não. A chegada ao aeroporto com os imensos malabikes (malas em que são levadas as bicicletas) mostra que há algo diferente ali, que há gente diferente ali.

Cheguei em Fortaleza. Era uma manhã de muito calor. Haveria um reconhecimento da natação. Estava um pouco cansado e na dúvida se deveria ir, já que nunca tinha tido a experiência de nadar em mar aberto. Fui. Cai na água e, sem ter muita noção da distância, decidi nadar até a primeira boia. Uma grande roubada. Foram 1500m de natação num mar agitado, quando já deveria estar cuidando de descansar.

No dia seguinte, antevéspera da prova, a saída para um treino de ciclismo. E esse foi o segundo momento crucial da minha preparação. Quando subi na bicicleta voltou o sentimento de medo que achei ter abandonado naquele último treino longo em Manaus. O vento seria uma barreira muito dura, muito mesmo. Nunca havia pedalado com tanto vento e calor. Pedalei 5km e imaginei o que seria pedalar 180km sob aquelas condições, nos meus planos 6 horas e meia, com aquele vento e no calor do final da manhã e início da tarde. O desespero e o medo só aumentaram.

Voltei do treino de ciclismo tomado pelo receio, cheio de dúvidas se seria capaz de vencer aquele desafio tão duro. A sensação de que poderia fracassar era desesperadora.

Foi então que pensei na decisão dos meus amigos que rasparam a cabeça para que aquela prova fosse mais que um desafio pessoal, fosse também por uma causa, uma bela causa, a causa das crianças com câncer, crianças que todos os dias superam um desafio muito maior do que aquele que nos esperava.

Decidi raspar a cabeça. Por sorte havia um salão no próprio hotel. Desci e raspei o cabelo enquanto conversa com um noivo que, na cadeira ao lado, se preparava para o seu casamento. É difícil explicar para quem nunca experimentou uma prova de longa distância o porquê desse desejo de desafiar os limites do corpo e da alma. A plenitude do que sentimos na preparação, durante a prova e na linha de chegada não se traduz plenamente em palavras, ainda que eu sempre me esforce em dividir minhas experiências e sentimentos.

Dormir bem é sempre um desafio na véspera da prova. A ansiedade toma conta e dificulta o sono. Agora entendo porque certa vez fui orientado a dormir cedo na antevéspera das provas. Assim, ainda que a véspera seja uma noite de pouco sono, seu corpo estará descansado.

E foi como previsto. Noite de muita ansiedade e de pouco sono. Apesar de ter me recolhido as 21h, dormi por volta da meia-noite e as 4 da manhã já estava de pé.

Hora de levantar, preparar as coisas com muito cuidado para não esquecer nada. Equipamentos, comidas, suplementos. Óculos de natação, touca, capacete, sapatilha, tênis, camisas, viseira, óculos escuro, batata, nutela, capsula de sal, gel de carboidrato, protetor solar.

Nos momentos que antecedem a largada a ansiedade é substituída pelo clima de confraternização. Amigos de Manaus juntos para esse desafio, gente de todo o Brasil e de várias partes do mundo na praia para a largada e centenas de pessoas assistindo.

Foi dada a largada. 3.800 metros de natação. Tempo nublado, mar agitado. A primeira boia 800 metros mar a dentro. Estava me sentido bem, tranquilo e ciente da necessidade de economizar, ainda faltavam 3000 metros, mais o ciclismo e a corrida. Nessa etapa os atletas ainda estão muito juntos e você não se sente só. A segunda boia 1000 metros para a esquerda. Começou uma forte chuva, o mar ficou mais agitado e bem difícil de enxergar a boia. Há um sentimento de solidão e assusta a ideia de algum problema naquela etapa da prova. Contornada a segunda boia uma etapa mais difícil. Uma boia a uns 500 metros à frente e depois um trecho de mais de 1500 metros contra a maré. Manter a direção era a parte mais difícil dessa etapa.

Manter a direção é sempre algo importante para você não nadar muito mais que o previsto e não desperdiçar energia, mais ainda nadando contra a maré. Não adianta tentar enfrentar a maré, nesse caso, melhor nadar um pouco fora da rota para pegar a maré de lado, ainda que nade um pouco mais, o esforço será menor. Assim fiz.

Havia uma igrejinha ao lado da praia do Marina e essa construção foi minha guia nesse momento mais difícil da natação. Era como se Deus pegasse a minha mãe e guiasse na vida para não desviar.
Mais uma vez o esporte imita a vida. Sabemos o que temos que fazer, sabemos como fazer, mas sempre que precisamos ir mais longe, há uma fé que nos guia.

A primeira etapa fora cumprida e eu me sentia bem.

Sabia que começava ali o maior desafio dessa prova. O ciclismo. 180 km com muito vento. E um problema adicional que já me incomoda há algum tempo, um tal Neuroma de Morton, uma lesão no nervo entre o terceiro e o quarto dedo do pé, provavelmente desenvolvida pela pressão no uso da sapatilha, e que causa uma dormência e incomoda demais. Eu achava que sabia. Seria muito pior do que eu imaginava.

O primeiro desafio foi o calor escaldante no início. Na parte mais dura, muito vento e um longo percurso de mais de 100k num sobe e desce sem nenhuma parte plana. Mesmo na ida a favor do vento, tudo muito difícil, vento lateral e muitas subidas. A volta era desesperadora. Vento contra que obrigada a pedalar mesmo nas descidas e um esforço tremendo a cada subida. E eram muitas.
Guardo uma imagem que talvez explique melhor as minhas palavras. As folhas das muitas palmeiras que davam a impressão de que a qualquer momento seriam arrancadas pelo vento já seriam suficientes para assustar quem precisava pedalar 180km naquelas condições, mas quando vi alguns urubus tentarem levantar voo e serem jogados de volta pelo vento, percebi o quanto aquilo seria desafiador para o meu corpo e a minha mente.

O Neuroma incomodou depois dos 100Km ao ponto de ter que durante um tempo descalçar a sapatilha e pedalar com os pés em cima dela.
Foram longas quase 7 horas pedalando. Tempo suficiente para me permitir refletir sobre o porquê disso. E sempre respondo essa pergunta começando da mesma forma: porque sim! Pela minha vida, pelo desejo de superar meus limites, pela minha família, para orgulhar e dar bons exemplos aos meus filhos, pelos meus sonhos. Para aprender a ser resiliente nos momentos de dificuldades da vida, para ter sempre capacidade de seguir em frente mesmo quando pareço no meu limite físico ou psicológico, para aprender a planejar. Enfim, para definitivamente retirar do dicionário o verbo DESISTIR e aprender que, em qualquer circunstância, mesmo nas mais duras, sempre devo PERSISTIR.

Nunca tinha levado meu corpo e minha mente a tamanho extremo. Mas, mesmo estourando o tempo planejado, a etapa mais dura estava cumprida. Poderia ser um alívio, mas ainda faltavam 42 km de corrida.

Cruzar a portal, descer da bicicleta depois de quase 7 horas na posição nada confortável do pedal, sentar para calçar o tênis, tudo isso rezando para não ter câimbras. Deu certo.
Sai pra correr. Claro que é sofrido, mas ali já sabia que suportaria cruzar a linha de chegada e isso renova as forças e fortalece a mente.

Muitas cenas ficam guardadas em uma prova tão longa. A bela paisagem, as pessoas torcendo, outras pelas ruas, umas espantadas outras indiferentes, os amigos que cruzam na corrida quando podemos vê-los e cumprimenta-los, os atletas de todos os níveis.

Prefiro a lembrança dos sentimentos. Corri 42km com um coração cheio de paz e de coragem, cheio de força e de esperança, cheio de sonhos e de amor ao próximo. Sempre lembro meu pai pensando naquele homem que se orgulharia de mim. Sempre penso na minha esposa e nos meus filhos e esse pensamento me tira o direito de voltar pra casa sem a medalha, só recebida por quem cruza a linha de chegada.

É um sentimento muito parecido com aquele do pai de família que sai de casa para trabalhar, faz o melhor de si, supera seus limites, sente cansaço, as vezes até sente dor, mas não se dá o direito de voltar pra casa sem cumprir a missão de oferecer o digno sustento da família.

No Iron Man Fortaleza, os 42km da maratona são 3 voltas de 14km em um percurso do Marina ao Iate Clube, passando por toda a extensão da Avenida Beira Mar.

Completei as 2 primeiras voltas. Faltava pouco. Se é que podemos chamar de pouco 14km de corrida depois de ter nadado 3.8km, pedalado 180km e já corrido 28km.

Já havia percebido que no início do percurso da corrida, tão logo saia do Hotel Marina, passávamos pela mesma igrejinha que fora minha guia na natação, mas a passagem na última volta da corrida foi inspiradora.

Quando passei era exatamente a hora da missa e cantavam uma música do Padre Zezinho. Uma lição para um homem temente a Deus e que buscava aprendizado.

A Barca

Tu te abeiraste na praia
Não buscate nem sábios, nem ricos
Somente queres que eu te siga....

Senhor, Tu me olhaste nos olhos
A sorrir, pronunciaste meu nome
Lá na praia, eu deixei o meu barco
Junto a Ti, buscarei outro mar

Tu sabes bem que em meu barco
Eu não tenho nem ouro nem espadas
Somente redes e o meu trabalho...

Tu minhas mãos solicitas
Meu cansaço, que a outros descansem
Amor que almeja seguir amando.

Uma corrida é assim como uma vida honrada. É um navegar sem ouro e nem espadas. É uma navegar somente com redes e com trabalho. A música me deu força e paz de espírito, justamente quando o corpo já chegava ao limite.

Abria a terceira e última volta de 14km já com as pernas bastante doloridas, mas certo que concluiria o desafio num tempo por volta de 15 horas, não tinha certeza porque na transição apertei um botão errado e desprogramei o relógio. Podia tentar apertar um pouco para terminar abaixo de 15 horas. Foi o que fiz.

Os banhos de agua gelada, os goles de refrigerante e as capsulas de sal aliviavam um pouco e permitiam apertar um pouco o ritmo.
Próximo ao final da avenida Beira Mar, faltando por volta de 6km da última volta, portanto corridos 34km, o susto. Uma tontura repentina, o medo de desmaiar e ver cair por terra todo esforço de treinos e da própria prova, de transformar a euforia de completar o meu primeiro Iron Man em frustração.

Era hora de sabedoria. De saber dar um paço atrás, de caminhar bem lentamente, de parar um pouco no posto de hidratação, de reprogramar o final da prova. Passei a correr 500m e andar 300m.
Recuperei. Último quilometro. Um banho de água gelada. Mesmo no limite, apertei um pouco o ritmo para chegar com menos de 15 horas. Uma sensação boa de força física e metal, de capacidade de superar meus limites.

Já podia ver o pórtico de chegada. Quando larguei achei que ao final me sentiria invencível, um homem capaz de enfrentar qualquer desafio que a vida impõe. Na verdade, me senti frágil, falível. Aprendi que é preciso humildade e sacrifício para os desafios do Iron e da vida. Uma prova como essa não lhe faz arrogante, uma prova como essa nos faz humildes.

A linha de chegada. Peguei minha bandeira do Instituto ALGUEM e dei o significado ainda mais especial aquele momento. Corríamos também por um alerta em defesa das crianças com câncer que merecem tratamento digno e a chance de lutarem pela vida, ou mesmo de terem uma morte menos dolorosa.

Após 14 horas e 8 minutos (tempo bem abaixo do que imaginava durante a corrida) cruzei a linha de chegada com o coração leve e alma tranquila. Pude ouvir o locutor narrar: Marcelo você é um Iron Man!
Após passar pelo pórtico, uma jovem do staff da prova chega em mim e pergunta: Massagem ou soro? Logo respondi: Cerveja!

Afinal, eu era um Iron Man!

A maratona e política.

23 de agosto de 2015 | Comentar

Hoje sai muito cedo pra treinar. Nadei 20 minutos no rio Negro e depois corri 50 minutos a um pace de 5:10 minutos por quilômetro.
A corrida pra mim é sempre um momento de liberdade e de reflexão. Não gosto de correr ouvido música e de vez enquanto preciso fazer corridas longas sozinho.
Correr sozinho hoje não foi uma escolha. Parte da nossa turma não treinou porque fez o primeiro Triathlon ontem e parte pedalou. Sai pra correr só.

Já no começo da corrida tomou a minha mente uma reflexão sobre as indefinições que vivo hoje na busca de um partido para disputar as eleições de 2016.
No meio desse pensamento lembrei que sou maratonista, que já corri 3 maratonas (42km), 6 meias maratonas (21km), 2 iron mans 70.3 (1.9km de natação, 90km de pedal e 21km de corrida) e que estou me preparando para fazer um Iron Man (3.8km de natação, 180km de pedal e 42km de corrida). Mas o que isso tem a ver com as coisas da política?

As provas de longa distância nos ensinam algumas lições.

Numa maratona não há nenhum fiscal que impeça que você pegue uma carona ou corte caminho, mas nenhum maratonista faz isso. Ele tem consciência de que tem que cumprir a regra de que não vale chegar ao destino a qualquer custo.

Na longa distância, o desespero não faz a linha de chegada se aproximar, pelo contrário, provavelmente vai deixá-la cada vez mais longe. É preciso manter a calma, o equilíbrio, planejar bem. Pode até ser necessário reduzir o ritmo mas desistir nunca é uma opção para um maratonista.

Nas três maratonas que fiz, em uma me machuquei e fui obrigado a caminhar 10km, na outra estava saindo de uma lesão e muito gripado, sofri bastante, levei meu corpo ao limite, mas a minha mente me levou até onde eu queria chegar.

Um maratonista cumpre regras esportivas e éticas. Um maratonista mantém a calma nos momentos de crise. Um maratonista não desiste. Um maratonista sabe a hora de acelerar e a hora de poupar energia. Um maratonista nunca perde o foco que é ultrapassar a linha de chegada.

A corrida de hoje me mostrou que é com a mente de um maratonista que vou encarar esses desafios que a política tem me imposto.

Sou maratonista. Seguirei coerente com os Meus princípios e não buscarei meus objetivos a qualquer custo. Terei paciência. Não desistirei. Não me precipitarei. Seguirei em frente na certeza de que chegarei ao objetivo de oferecer aos meus irmãos manauaras um caminho moderno e seguro para o nosso futuro.

[Diário de um Maratonista] Maratona do Rio - Aquecimento

25 de julho de 2015 | Comentar

30 minutos de corrida só pra avisar ao corpo que amanhã ele vai sofrer por 42km (Maratona do Rio). Sequência de treino quebrada por conta da lesão no joelho, o joelho ainda não está totalmente recuperado, gripe, dor de garganta e ainda amanheci com uma irritação no olho.

Nem sempre quando chega a hora de enfrentar um desafio as condições são adequadas, muitas vezes, a vida impõe barreiras inesperadas. Claro que isso faz o desafio um pouco maior, exige um pouco mais de sacrifício, mas não é motivo pra desistir.

Na corrida, quando o corpo não está em condições ideais, sobra a força dos valores e das paixões que nos fazem correr. Na vida também. Temos a mania de subestimar o potencial da força que vem do coração, da mente e da alma. A força que vem da paixão pelo que fazemos, do amor pelas pessoas que nos admiram e respeitam pelo que fazemos, do nosso desejo interior de superar limites.

Sei que amanhã não será fácil. Sei que teria tudo pra dar errado. Mas vai dar certo. Porque eu tenho paixão pela corrida, porque as pessoas que me amam e me admiram torcem pra que dê é porque há um desejo incontrolável dentro de mim de superar os meus limites. Agora é descansar. A sorte está lançada.

Paciência e Perseverança

03 de julho de 2015 | Comentar

Hoje nadei 2000 metros! Mas o que isso tem a ver com paciência e perseverança?

Por conta de uma lesão no ligamento do joelho esquerdo, estou, temporariamente, impedido de correr. Isso não me faz nada bem. Correr é meu alimento para o corpo e para alma. É correr que me faz ter prazer em pedalar e nadar.

Fora isso, não conseguirei participar de duas provas para as quais estou inscrito (Meia Maratona do Amazonas e Triathlon do Sesc). Fica um sentimento grande de frustração.

É nessa hora de desestímulo, em que parece faltar forças para seguir em frente, que precisamos fortalecer a PACIÊNCIA e a PERSEVERANÇA.

Paciência para não apressar o retorno aos treinos e para não ceder ao impulso de fazer as próximas provas, mesmo sem a melhor condição física. Não respeitar o corpo sempre tem consequências drásticas. O agravamento de uma contusão pode aumentar muito o tempo de inatividade.

Sei que não é fácil para quem tem uma rotina diária e dura de atividades físicas e precisa disso para se sentir bem, de repente, ser obrigado a parar tudo. É sempre um bom caminho adaptar a rotina para outras atividades, que não comprometam a lesão, para nos mantermos ativos.

Aqui entra a perseverança.

Quando sofremos uma lesão e somos obrigados a parar os treinamentos. Paramos um dia, dois dias, três dias, uma semana e, quando menos percebemos, já paramos um mês. Dai para desistir é um passo.

É preciso perseverar. Não se deixar tomar pelo desânimo, pela falta de disposição. Enfrentar esses sentimentos com força e determinação. Aqui, importa menos o que o seu corpo quer e mais o que sua mente deseja. Se a sua mente der o comando de seguir em frente, tenha certeza, o seu corpo vai obedecer.

Foi assim que, com todo o desânimo fruto da lesão, da impossibilidade de realizar as provas, agravados por dificuldades na vida pessoal e profissional, a força da minha mente deu o comando para resistir, para perseverar. E o corpo obedeceu.

Bastou adaptar a rotina para a natação e a academia que sigo ativo.

Por outro lado, uma lição mais importante. No momento em que a mente enviou ao corpo o comando de ter paciência, perseverar e seguir em frente, a mesma mensagem inundou também a minha alma. Assim, a força que me fez retomar os treinos, também me fez enfrentar problemas pessoais e profissionais com força, esperança e certeza de superá-los.

E assim, a corrida segue me ensinando para a vida.

Projeto Iron Man Fortaleza

16 de junho de 2015 | Comentar

Hoje cheguei antes das 6h na Ponta Negra para o meu treino de pedal. Quando parei o carro, caiu um temporal. Na chuva fica muito arriscado andar numa bicicleta speed em tiros de 35km/h. Pensei em desistir. Mas decidi esperar um pouco. A chuva diminuiu e depois passou. Fiz meu treino e aprendi uma lição.

As vezes quando você acha que chegou a hora da sua travessia, surge a tempestade inesperada. Nessa hora, desistir é fácil e, quase sempre covardia. Enfrentar é corajoso, mas algumas vezes irresponsável. Esperar a melhor hora pra atravessar é coragem e sabedoria. #IronManFortaleza

Iron Man 70.3 Brasília (1.9km de natação. 90km de bicicleta. 21km de corrida)

05 de abril de 2015 | Comentar

Numa prova com essa de hoje você carrega muitas coisas. Eu carrego as mensagens de força que recebo dos amigos e amigas, carrego um linda mensagem que recebi da minha mãe falando de persistência e amor, carrego a paciência e o amor da @jujumaranhaoramos que entende minhas ausências por conta dos longos treinos, carrego o desejo de ser exemplo pro Gabriel e pra Marcelinha. E é disso que quero falar. 

Não é simplesmente o exemplo de uma vida saudável. É muito mais. É exemplo de que nossos objetivos só são nobres e valem a pena quando alcançados como fruto de renúncias, sacrifícios e trabalho, que a trapaça não vale a pena, que mais vale o respeito às regras e a lealdade com o outro. É o exemplo da convivência harmoniosa, da amizade e do companheirismo que encontrei entre a turma do triathlon. É o exemplo de dedicação e de superação das dificuldades, sem o que não conseguimos enfrentar uma prova dessa e muito menos conseguiremos enfrentar a vida. Certa vez perguntaram o que eu queria deixar de legado para os meus filhos. Respondi.

Quero deixar um exemplo. Nada mais que um exemplo. Quero ser um homem que um dia meus filhos se orgulhem da minha história. Não das riquezas que eu amealhei - por isso me preocupo tão pouco com elas - mas do meu caráter, do meu compromisso com a justiça, da minha luta, da minha coragem... e, é claro, dos triathlons e maratonas que eu fiz... Iron Man 70.3 Brasília ai vamos nós. Que Deus proteja a todos nessa prova.

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SOBRE O BLOG

O esporte e a atividade física sempre estiveram presentes na minha vida. Desde o futebol de moleque descalço na rua até os anos dedicação ao voleibol que me levaram a ser o levantador da seleção ... LEIA MAIS

MARCELO RAMOS

Advogado pós-graduado em Direito Processual Civil, deputado estadual e autor dos livros "Nossa Luta Diária" e "Velho Baú".

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