Um ano de superação

30 de dezembro de 2013 | Comentar

2011 foi um ano de mudanças significativas na minha vida. Mais foi em 2012 que passei a me dedicar mais à atividade física e ganhar paixão pelos desafios e pela competição. Fechei 2012 correndo a minha primeira Meia Maratona (21km) em 2:14:53, a primeira São Silvestre (16km) e já decidido a enfrentar a primeira Maratona (42km) em 2013.

Os primeiros meses do ano foram de muito treino. Corridas quase diárias de 10km e aos sábados sempre um longo entre 15km e 20km.

Nessas corridas acabei encontrando a turma do triathlon e fui convencido pela minha querida amiga Alexandra Valente a nadar aos domingos nas águas do Rio Negro.

Mesmo sem pedalar e comprando uma bicicleta na véspera da prova, tive minha primeira experiência com o triathlon.

1ª. Etapa do Amazonense de Sprint Triathlon (750m de natação. 20km de ciclismo. 5km de corrida). Dia 13.04.2013. Tempo 1:36:55.

Passada essa prova. Intensifiquei os treinos para a maratona. Confesso que correr 42km me assustava. Antes da primeira meia-maratona já tinha feito 21km treinando. Mas chegaria à Maratona da Caixa no Rio de Janeiro tendo feito no máximo 32km num percurso muito duro Tropical-Ponte-Cacau Pirera-Tropical.

Maratona Caixa Rio de Janeiro. Dia 07.07.2013 (42km de corrida). Tempo 4:22:18.

A Maratona do Rio foi uma experiência extraordinária. Senti-me mais forte e capaz de superar outros desafios. Decidi fazer o Iron Man 70.3 de Miami.

Apesar de fora dos meus planos, fui levado pelo entusiasmo de amigos queridos de corrida a enfrentar mais uma meia.

 

Meia Maratona Internacional do Rio (21km de corrida). Dia 31.08.2013. Tempo 1:51:35.

Numa prova não planejada, acabei fazendo um tempo extraordinário (até hoje meu melhor tempo nos 21km). A presença do meu tio Gilberto, um corredor de elite na sua faixa etária de 60 anos, foi o estímulo que me fez correr tão rápido. Nessa prova percebi que poderia correr mais e mais rápido que jamais tinha imaginado. Decide treinar para fazer uma maratona em menos de 4h.

Animado com o triathlon e preparando-me para o Iron Man, passei a dedicar um pouco dos tempos de treino para a natação e o ciclismo. Veio a segunda etapa do circuito amazonense.

2ª. Etapa do Amazonense de Sprint Triathlon. Dia 28.09.2013. Tempo 1:25:24

O resultado foi surpreendente. Baixei mais de 11min o tempo da primeira etapa.

Era hora de focar no Iron Man. Uma prova dura e completamente fora dos padrões do que eu tinha feito até aqui. Meu simulado mais próximo do que seria a prova foi 1km de natação, 40km de ciclismo e 12km de corrida.

Nunca fiquei tão ansioso e inseguro como nas vésperas do Iron. Mas foi só até começar a viver o clima da prova.

Iron Man 70.3 Miami (1,9km de natação. 90km de ciclismo. 21km de corrida).  Dia 27.10.2013. Tempo 5:59:34.

Mais uma superação. Havia planejado fazer a prova em aproximadamente 7h. 40min de natação, 4h de ciclismo e 2h de corrida. O entusiasmo com a prova e força mental para enfrentar o desafio de nadar, pedalar e correr, levaram-me a um resultado sub-6h. Fiz a natação em 37min, o ciclismo em 3h e a corrida em 2:14h. Ganhar 1h no ciclismo fez-me perder 14 min na corrida. Uma boa troca.

Nessa prova, comecei a sentir cãibras no primeiro passo da corrida e fiz 21km com cãibras. Foi quando tive a certeza que, quando as pernas falham, você pode correr com a mente. Foram as minhas causas e os meus amores que me levaram em frente e que ainda me possibilitam um sprint final para fechar antes das 6h de prova.

Após o Iron eu até que merecia um descanso, mas uma semana depois já estava correndo uma nova Meia Maratona.

Meia Maratona Asics Brasília. Dia 03.11.2013. Tempo 1:52:02.

 

Planejei fazer uma corrida leve para fechar acima de 2h. Acontece que logo após a largada já havia uma descida. Empolguei e comecei a correr para fazer o meu melhor tempo de meia. Não deu. No final, a falta de descanso após o Iron pesou. Ainda assim, foi um tempo muito bom.

Na preparação para o Iron aprendi a gostar muito das provas de triathlon e, por isso, a nadar com regularidade. Mesmo não sendo o treino em piscina algo prazeroso para mim, passei a treinar todo dia e logo veio o desafio da Maratona Aquática.

Maratona Aquática (1,5km de natação). Dia 17.11.2013. Tempo 32:10.

Para quem não gosta muito de nadar, foi um bom tempo e ainda fiquei em 4º lugar na minha categoria de 40 a 44 anos. Fiquei feliz.

Voltei às corridas para enfrentar o desafio da minha segunda Meia Maratona do Amazonas. Prova dura. Muito calor e muita subida. Fiz duas semanas de treinos específicos pra ela. Dava duas voltas na Ponte (14km) com 20 tiros de 100m na subida. Era duro, mas eu queria baixar em 20min o tempo de 2012 (2:14:53) e esse objetivo não seria alcançado sem sacrifícios.

Meia Maratona do Amazonas. Dia 30.11.2013. Tempo 1:52:33.

 

Apesar das subidas e do calor, foi uma ótima prova. Eu que queria baixar 20min do tempo do ano passado, baixei 22:30min. Muito bom.

Preparação para a última etapa do circuito de triathlon. A ausência de alguns competidores fortes da minha categoria abria a possibilidade de alcançar um 3º lugar nessa prova. Eu me sentia forte.

3ª. Etapa do Amazonense de Sprint Triatlhon. Dia 14.12.2013. Tempo 1:22:33.

 

Não deu o pódio. Cheguei em 4º. Mas fiz uma prova espetacular e fiquei muito feliz. Foi uma prova muito especial porque realizada no dia que meu pai completaria 68. Fazer uma homenagem pro meu velho Umberto foi a minha maior alegria.

O ano estava encerrado no triathlon, mas ainda faltava o Desafio Mario´s Runners. Uma Meia Maratona organizada na Zona Leste (entre o Puraquequara e a Colônia Antônio Aleixo) com um percurso muito duro. A prova tem um valor especial porque participar é uma forma de prestigiar a luta do professor Mário para estimular a corrida e a atividade física numa área mais carente da cidade.

Desafio Mario’s Runners (21km). Dia 28.12.2013. Tempo 2:02:40.

 

O percurso foi um pouco modificado em relação à prova de 2012. Considerando o cansaço de fim de ano, as muitas subidas e curvas e o terreno acidentado, foi a prova de corrida mais dura do ano.

Desataquei os 10 eventos mais importantes. Mas, entre eles, muitas corridas de 5km e 10km, muito treino com pessoas queridas. E a maior de todas as conquistas muitas amizades fraternas e carinhos verdadeiros.

A corrida mudou a minha vida. A corrida me faz feliz de verdade. A corrida hoje existe em mim. Faz parte da minha alma. A corrida alimenta o meu corpo e a minha alma. A corrida me faz um homem melhor.

E assim foi meu ano de 2013. O ano mais feliz da minha vida em todos os aspectos. Resta agradecer à Deus, a minha família, aos meus amigos e deseja que o ano de 2014 renova as minhas forças para seguir correndo, pedalando, nadando e lutando para dar um bom exemplo para todos aqueles que me querem bem.

Feliz Ano Novo!

 

30 de dezembro de 2013 | Comentar

Limites Extremos

02 de dezembro de 2013 | Comentar

Hátempos não escrevia no Blog. Sempre evito escrever quando julgo que falta inspiração e o prazer do relato livre e descompromissado vira o tormento da obrigação de transformar fatos da vida em textos sem a devida paixão.

Volto ao Blog e às experiências com a corrida provocado por uma palestra do jornalista Cleiton Conservani com o tema Limites Extremos.

Ao ouvir o relato de dor e sacrifício de quem correu 42km no Pólo Norte e 240 km no Deserto do Saara, fiz-me a pergunta que deveria passar na cabeça de todos que o ouviam: por que fazer isso? Por que correr riscos? Por que sacrificar tanto o corpo e a mente?

Antes da experiência com a corrida, eu não conseguiria responder essa pergunta com respeito. 

Chamaria, por certo, de maluco, burro, otário. Diria que era falta do que fazer.

Hoje posso entender que essa pergunta só pode ser respondida por quem alcança o objetivo! Posso enxergar mais que a importância disso pro corpo e pra mente, mas a o valor disso pra vida e para a alma.

Comecei querendo correr 10km, corri! Depois uma Meia Maratona (21km), corri! Agora estou me preparando para minha primeira Maratona (42km) dia 07.07. A cada prova uma sensação de superação, de bem estar, uma certeza de que sou capaz de superar os limites. Quando cruzo a linha de chegada sinto-me um gigante, um super-héroi, lembro do meu filho Gabriel, das minhas filinhas Maria Carolina (falecida) e Marcelinha, de toda a minha família. É pra eles que corro, são eles que me empurram nos momentos difíceis da prova.

Foi a corrida que mudou a minha vida em relação a disciplina, noção de prioridade e produtividade. Foi a corrida que me fez mais feliz. 
Passei a não negociar meu horário de treino, a não perder tempo do dia com futilidades e a perceber que produzia muito mais no trabalho, por estar bem física e psicologicamente, mais concentrado e sempre buscado eficiência no meu tempo de execução das tarefas.

Duas lições me tocaram na palestra.

O pai que correu a Maratona no Pólo Norte pra homenagear o filho que morreu de overdose. O relato ganha mais dramaticidade porque o plano inicial era pai e filho correrem juntos a prova, mas o pai corredor perdeu para o terror das drogas.

Não há um grande desafio que não seja movido por uma causa – pública o oculta. E são essas causas que fortalecem nos momentos mais duros dos desafios da corrida e da vida.

O segundo e surpreendente relato foi do ex-jogador de rugbi Gustavo Zerbino, sobrevivente do desastre de avião caiu na Cordilheira dos Andes, resgatado 72 dias depois do acidente. Nos dias que passaram na Cordilheira - chegando ao extremo de comerem carne humana - Gustavo recolheu vários pertences dos amigos mortos e colocou em um saco. No 72o., chegando o resgate, informaram a ele que não poderia levar o saco com as lembranças e ele prontamente disse que sem as lembranças não embarcaria e morreria ali com os seus companheiros.

Existem bens imateriais que valem mais que a própria vida para os que têm amor no coração. São esses bens que fazem a vida ter sentido e ser bela. Só os que carregam consigo esses bens podem saber o que é a felicidade.

E com essa frase, o jornalista encerrou a sua palestra. 

“Só reclamada da vida quem está bem. Quem está mal, realmente mal, serra os dentes e segue em frente!”

Meu primeiro Iron Man

04 de novembro de 2013 | Comentar

Um dia eu precisei mudar a minha vida para cuidar melhor do meu trabalho e da minha família, para cuidar melhor de mim, da minha mente e do meu corpo, para ser exemplo para os meus filhos, para passar uma mensagem positiva para os que me acompanham e confiam em mim. Nessa mudança duas coisas foram fundamentais: parar de beber e correr.

Primeiro eram umas corridinhas, academia e funcional. Mas foi a corrida que mudou a minha vida. Fui encontrando gente diferente, cheias de boas energias, gente que se preocupa contigo não pelo que tu tens ou o cargo que ocupas, mas pelo simples te querer bem. Gente como o meu amigo “Mestre” Helso Ribeiro (ele é pós-doutor, mas na corrida chamam de mestre), poderia citar muitos outros, mas esse cara é realmente especial.

Comecei com corridas de 10km e logo vi renascer em mim o espírito competitivo do garoto que amava o voleibol. O espírito competitivo ressurgiu mais maduro, trazendo sensações mais permanentes, menos efêmeras. O que motiva não é mais chegar em primeiro, mas sim a sensação de superar os meus limites. A competição agora é comigo mesmo, com a minha mente e com o meu corpo. Agora o corpo de um homem de 40 anos.

Pronto. Mal cheguei aos 10km em menos de 1h, já queria uma meia-maratona (21km). Preparei-me pra ela. Foi um dos desafios mais difíceis, ainda estava pesado e treinava sério fazia menos de 1 ano. Cumpri a meia maratona em dezembro de 2012 (sobre a prova. http://www.corroatoa.com.br/?q=292-conteudo-50142-minha-primeira-meia-maratona).

Vi que podia mais. Planejei a maratona (42km) para 8 meses depois. Treinei com disciplina e entusiasmo. Em julho de 2013 corri a minha primeira maratona. Foi muito emocionante (sobre a prova http://www.corroatoa.com.br/?q=292-conteudo-48761-licoes-da-minha-primeira-maratona).

Durante o treinamento pra maratona, encontrei o triathlon e, tomado pelo espírito competitivo, lá estava eu fazendo umas provas curtas (750M de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida). Mais gente bacana, solidária. Eventos com organização impecável.

Após a maratona, passei a dividir o amor pela corrida, com a obrigação de pedalar e a tortura de nadar (gosto de nadar nas provas em águas abertas, mas treinar na piscina é tedioso para mim).  

Um dia resolvi fazer uma prova de Iron Man 70.3. Ouvi muitas palavras de apoio na minha caminhada para a prova. Mas ouvi também o meu amigo Serafim me aconselhando a parar de presepada - depois ele me desejou boa sorte e torceu por mim (rsrsrs) - e o governador Omar Aziz, com bom humor, dizer que eu não completaria a prova, quando relatei a ele quais eram as distâncias. Eu estava determinado. Fui ao desafio.

Cruzei a linha de chegada depois 5:59:34 horas de prova, surpreendentemente, 1h abaixo do que planejei quando comecei a me preparar.

Mais importante foram as emoções que experimentei durante as quase 6h de prova. E é sobre elas que quero falar.

Sou sempre muito confiante nas provas que participo, mas confesso que estava muito receoso com esse desafio. O ciclismo me apavorava. Sempre pedalei mal e não treinara o suficiente para superar com tranqüilidade os 90km.

Felizmente, consegui dormi as 21h na noite anterior a prova, mas acordei as 3:15 da manhã. Fiquei na cama descansando, mas com a cabeça já na prova. As 5h da manhã, ainda escuro em Miami, tomei café, sai do hotel e fui para o local da prova (BayFront Park).

Chegando lá. O clima da prova já me contagiava. Milhares de bicicletas (mais de 3000) organizadas na área de transição. Procurando pelo meu número, localizei o 2099, onde já estava a minha bike (o check in da bike fora feito no dia anterior). Arrumei cuidadosamente tudo que precisaria para a prova. Sapatilha, meia, capacete e óculos escuro para o ciclismo.  Tênis e viseira para a corrida. Ainda carboidrato em gel e umas barras de proteína. Tudo pronto. Fui dar uma volta na transição e aproveitar aquele ambiente novo e prazeroso para mim.

Havia muito nervosismo e ansiedade, mas a companhia dos amazonenses Alexandra, Silviane, Sherre (uma americana que adotamos no Amazonas) Nahim, Rodrigo, Ricardo, Alessandro Braga, aliava a tensão pré-prova.

(com minha amiga Alexandra Valente)

A largada é feita em ondas. Primeiro elite masculino. Depois elite feminino. Depois separados por faixa etária dos mais velhos para os mais novos, com divisão, dentro de cada faixa etária, por previsão de tempo. A primeira largada foi pontualmente as 7:25. Por volta de 8:20 chamaram a minha categoria e encontrei meu amigo Euler Filho, triatleta experiente em Iron Man. As 8:27h, no sexto grupo da faixa etária de 40 a 44 anos (previsão de tempo de 7h) larguei para os 1.9km de natação.

Senti-me bem desde o início da natação, mas dois problemas me incomodavam. O óculos novo que resolvi usar para prova deixava entrar água salgada no olho direito. Tentei duas vezes repor o óculos, como não consegui, segui em frente tentando não me irritar com isso. Incomodava também beber muita água salgada – o que me deu certo enjôo no final da natação e início do ciclismo.

Num determinado momento da natação comecei a passar vários atletas da largada anterior, supostamente mais rápidos que eu, e isso deu o ânimo para nadar forte na parte final da natação. Conclui em 37:20min., um pouco abaixo dos 40min planejados. A primeira parte da missão estava cumprida. Era correr o pequeno trecho de transição para iniciar o ciclismo.

Na transição, as palavras de incentivo do Neto (Presidente da Federação Amazonense de Triathlon). Chegando na bike encontrei novamente o Euler Filho e saímos juntos para pedalar.

Euler sugeriu que seguíssemos juntos, mas fiquei receoso – nunca havia pedalado mais que 50km e o desafio era de 90km – e disse pra que ele seguisse no seu ritmo que eu iria mais devagar.

Sentia-me pedalando bem, mas o velocímetro da bike não passava de 19 km/h. Achei que fosse o vento. Segui em frente decidindo não baixar de 17 km/h e nem passar de 20 km/h. O ciclismo tinha uma reta muito longa e um cara todo vestido de UFC – tinha pinta de lutador – toda vez que eu passava dele, acelerava e passava novamente de mim. Era irritante, mas eu mantinha o meu planejamento.

Agora, o mico da prova! Só ao fazer o retorno e ver a placa de 30 milhas percebi que o meu velocímetro estava marcando em milhas tanto a distância quanto a velocidade. Isso me fez sentir um bobo, mas me confortou. Já concluira metade da prova e com um tempo surpreendente. Nos primeiros quilômetros da volta o vento contra que maltratava, passou a ser aliado e a velocidade que ficava entre 17 e 19 (agora já sabia que eram milhas por hora) passou para 23 (tudo bem que eu não sabia converter, mas sabia que estava mais rápido). Isso durou pouco, Logo depois vento contra de novo. E o tal do UFC que continuava acelerando toda vez que eu passava dele.

Como estava calculando a distância em quilômetros, perceber que já tinha pedalado muito mais que imaginava, fez-me mais forte psicologicamente para a segunda metade da bike. Pedalei forte.

Passei pela minha amiga Alexandra Valente e foi quando descobri, por ela, que já percorrera 57km. Minha dor nos dedos do pé direito ficou insuportável. Tirei a sapatilha e fiquei pedalando com os pés sobre ela. Mas tive que parar para recolocar a sapatilha, o que me custou 1 ou 2 minutos.

A poucos quilômetros do final do ciclismo reencontrei o Euler Filho e isso me fez perceber o quanto eu havia pedalado forte. Passei por ele e retribui o chamado para que fossemos juntos nos 5km finais. Conversamos um pouco sobre a alegria da superação, ele perguntou se a minha família estava lá comigo e pedalamos forte na reta final. Chegamos juntos após 2:59:35 horas, surpreendentemente, 1h a menos que as 4hs planejadas. Segunda etapa cumprida.

Faltava os 21km de corrida. Quando tirei a sapatilha já senti o aviso de cãibras. Hidratei. Alimentei com um pedaço de uma barra de proteína. Um gel de carboidrato. Calcei o tênis. E sai pra corrida. Mais uma vez junto com o Euler Filho.

Como os avisos de cãibras eram intensos, fiquei um pouco pra trás. Sentia-me forte, mas as pernas estavam muito desgastadas pelo ciclismo. Segui muito lento. No meio da corrida havia uma ponte. E na ponte uma subida dura na ida e outra na volta. Seriam 2 voltas. Portanto, 4 subidas duríssimas para quem já tinha nadado e pedalado. Mas eu não fui pra lá pra desistir. Quer dizer, desistir é uma palavra que tirei do meu vocabulário quando comecei a correr.

Já na primeira subida, fortes cãibras, tanto na parte anterior como na posterior da coxa. Impossível alongar, porque o alongamento de um músculo gerava a contração de outro. Caminhei um pouco.

Nesse momento percebi que dali em diante a cabeça era muito mais importante que o corpo. Era ela que me levaria até o final da prova. Pensei em como chegara até ali. Nas decisões que tomei para que fosse capaz de testar os limites do meu corpo. Pensei que naquele momento testava também os limites da minha alma, da minha capacidade de superação. Agradeci a Deus. Pensei no homem que no ciclismo levava um jovem com paralisia cerebral no triciclo acoplado à bike (achei que fossem pai e filhos, eram irmãos – escrevi sobre isso http://corroatoa.com.br/?q=292-conteudo-50097-irmaos-nao-pesam). Pensei na minha família. Nos meus filhos. Pensei na missão que cumpro na vida pública e que também não me permite desisti.

Na corrida e na vida eu não tenho o direito de desistir. Eu seguiria em frente e se não tivesse forças para acabar a prova por mim, acabaria por todos que amo nessa vida. Eu estava forte novamente.

Mesmo com muitas dores, segui na corrida, controlando para que as cãibras não chegassem ao insuportável e me fizessem parar de vez. Poupava muito nas subidas e aumentava um pouco o ritmo nas descidas e no plano. Muita hidratação. Muito gel de carboidrato. E muita, muita força mental. Conclui a primeira volta (10,5km). Nesse momento me agigantei psicologicamente ao perceber que poderia fazer a prova em menos de 6h, uma hora a menos que meu planejamento inicial de 7h, e 30min a menos do pensava ser o melhor dos cenários de 6:30h.

Corri dali em diante com a cabeça e o coração. E quanto mais aproximava do final e eu percebia que era possível fazer menos de 6h, mais esse objetivo tornava-se uma obsessão para mim. Cruzei com o Rodrigo que estava concluindo a sua primeira volta e falamos de superação. Não sei com que forças, mas acelerei bastante no final. Cruzei a linha de chegada. A corrida em 2:14:46 horas , 14 min acima das 2h planejadas.

Em êxtase, ouvi distante o locutor anuncia “Congratulations, Sr. Rodrigues, Brazil”. 

Completei a prova em 5:59:34. Eu era um Iron Man. E de quebra sub-6h.

As dores guardadas por 21km de corrida, surgiram com força. Mas dessa vez foi à felicidade que transbordou e devolveu a dor para um cantinho escondido do meu corpo.  

O que é o impossível? O impossível é o que você não tentou ou não se dedicou o suficiente para realizar. Sou mais forte após essa experiência. Mas forte para os desafios da família, da vida, da política. Sou um homem melhor.

(Quer ficar magro? O Iron Man te deixa assim. Isso não é photoshop. Isso é logo depois da quase 6h de prova no triathlon iron man.)

Sempre disse que nunca faria o Iron Man inteiro (3.8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida). Não resisti! Não sei mais viver sem desafios! Em 2015 estarei lá. Podem aguardar!

Minha primeira Meia Maratona

17 de dezembro de 2012 | Comentar

Apesar de fazer mais de uma semana da minha primeira Meia Maratona (21km), só agora encontrei um caminho para escrever sobre a sensação de superação, prazer e felicidade ao cruzar a linha de chegada depois de 2:14:52. Sou meio exigente comigo para escrever, portanto, enquanto não encontro um caminho que julgue valer a pena, prefiro esperar uma inspiração que justifique o texto.
Desde a Meia Maratona de sábado passado (08.12.2012), fiz funcional, corri 1500 e 100 metros, joguei vôlei e vôlei de praia nos Jogos dos Servidores Públicos, mas só hoje (16.12.2012) voltei a treinar para as corrida longas, fazendo 9km na Ponta Negra.
Fui correr só. É incrível como numa determinada etapa da corrida sempre sinto um impulso, uma necessidade incontrolável de abrir os braços e agradecer a Deus pela minha nova vida, pelas minhas novas escolhas, por ter me dado forças para uma vida mais centrada e saudável, uma vida de sentimentos verdadeiros em troca da ilusão da bebida e da farra.
Foi assim. Abri os braços e agradeci a Deus. Pouco depois chega ao meu lado o André, um velho amigo dos tempos que eu andava no conjunto Tiradentes, e diz: - Marcelo, lembro como tudo isso começou, dos dias que você postou vídeos na internet indo para Assembleia de bicicleta como forma de reclamar por ciclovias e indo correndo/andando para denunciar a situação das calçadas em Manaus. Você é uma nova pessoa!
Sou mesmo! Aos 39 anos nunca me senti tão jovem. 
Esse fato e a cobrança do meu amigo Edézio Rufino - que fez um belíssimo depoimento sobre a sua experiência na meia maratona – obrigaram-me e deram-me a inspiração necessária para escrever sobre a prova.
A Meia Maratona
Estava bastante ansioso. Já tinha corrido 21km, inclusive feito o percurso daquela prova. Mas queria baixar meu tempo de 2:29 para o mais próximo de 2:25 e, principalmente, ver meu irmão Rodrigo Ramos concluir a prova.
É impressionante como uma prova de 21km pode despertar tantos sentimentos e apresentar tantos cenários.
Comecei num ritmo lento, junto com Edézio, Chesco (meu treinador) e Gabi. Após a primeira subida, ainda antes da Ponte, uma turma de jovens no quintal de uma casa tomando cerveja e já visivelmente embriagados. Olhei pro meu amigo Edézio Rufino e disse a ele: “Olha ali, mano. Tempos atrás nos estaríamos ali” (apontando para turma que bebia). Ao tempo que disse ao Edézio, pensei: Nós estaríamos ali, nossas famílias estariam tristes e preocupadas, nosso filhos decepcionados e amanhã teríamos uma dor de cabeça e uma ressaca danada.
Segui em frente. Até a subida da ponte muitos me passavam. Iniciou a descida da ponte e veio aquele desejo incontrolável de abrir os braços e agradecer a Deus. Fiz isso. Lembrei-me do quanto a minha vida mudou, do quanto sou mais feliz, do quanto sou capaz de superar meus limites. Lembrei o dia que corri 5km, que corri 8km, que corri 10km, que corri 15km, que corri 20km, que corri 21km. Senti-me um gigante!
Aumentei o ritmo. Da descida da ponte em diante fui me sentindo cada vez mais forte e percebendo a possibilidade de fazer um tempo melhor que o planejado. No retono dos 10,5km sentia-me capaz de aumentar o ritmo mais um pouco. Fiz isso. Percebi que poderia completar a prova próximo de 2:20h.
Nos treinos, os 2,7km da subida da ponte era sempre um ponto de superação. Várias vezes fiz a subida de forma tão ou mais veloz que a corrida no plano. Tentei isso, mas veio um momento crítico. Comecei a sentir fisgadas de câimbras. Resisti. Veio a descida da ponte e poderia aliviar um pouco, mas percebi que poderia completar a prova em menos de 2:20. Forcei o ritmo.
Logo depois uma pequena subida, uma descida e outra subida quando a câimbra já era difícil de controlar. Mas não ia ter chegado até ali para sentir câimbras a menos de 1km da chegada.
Foi ai que percebi o quanto a força do psicológico empurra você numa corrida. Naquela hora fui movido pela certeza de poder completar a prova - fruto do aspecto psicológico de estar bem treinado -, pelo orgulho próprio de completar num tempo muito abaixo do planejado, pela alegria de ver-me capaz de superar meus limites. Eu voltava a ser um gingante no final da prova.
Eis que a poucos metros da chegada, uma cena emocionante que me fez lagrimar. Passando em frente ao condomínio Parques das Flores, a família do Edézio toda esperando ele passar. Quando a esposa do Edézio perguntou por ele, disse que ele estava vindo, e tive a certeza que as câimbras não me derrubariam antes da linha da chegada, como também não derrubariam ele.
Próximo à linha de chegada, muitas pessoas desejando forças, na linha de chegada, a turma do RM aplaudindo e vários amigos parabenizando. Fechei a prova em 2:14:52, quase 15 minutos abaixo do planejado.
Tirei o chip, recebi minha medalha, sentei um pouco. Mas lembrei o que disse pro meu irmão Rodrigo antes da corrida: “Na corrida como sempre foi na vida. Sempre juntos. Um ajudando o outro”. 
A corrida não estava completa. Precisava ajudar o meu irmão a completar a prova. Chamei o Rogério (nosso treinador do RM Funcional) e disse que precisávamos encontrar o Rodrigo e correr a reta final com ele. Voltei pra prova. Felizmente, encontramos o Rodrigo a menos de 500m da chegada e corremos ao lado dele. Cruzei a linha de chegada novamente. Agora junto com o meu irmão.
Ainda fiquei pra ver a chegada do Chesco e da Gabi e  depois a do Edézio.
Missão cumprida. Feliz demais!
Obrigado meu Deus pelas minhas escolhas e pela minha nova vida.

Chegando dos 21km




















"Minha maior alegria nessa corrida. Poder compartilhar a vitória com meu mano Rodrigo Ramos que disse que ia fazer e fez os 21km. Juntos podemos tudo. Na corrida como na vida."

























Texto de Edézio Rufino

9 de dezembro 

Nos meus últimos 60 dias conseguir fazer e realizar alguns sonhos e retomar minha vida de atleta, fiz uma corrida de 5 km a qual me impulsionou e despertou aquele velho atleta que estava morto no meio de rodadas de bebedeiras, cigarro e noitadas!!! Fiz uma prova bacana com tempo de 28 minutos sendo que em 3 dias vinha um novo desafio o triathlon, incentivado pelo amigo Afonso Junior, mais uma vez me aventurei a fazer aquele velho corpo ir ao seu limite, chegar a um esgotamento físico que a tempo não acontecia, fiz uma prova em 2h e 5 de muito suor, garra e alegria, o brilho nos olhos de minha familia mostravam que eu poderia ser aquele cara que muitos um dia tiveram orgulho!!! Dificil de falar pois as lágrimas caem do rosto sem um porque!!! Quem um dia se arriscar nessas aventuras vai entender!!!! Como em minha vida sempre fui um cara exagerado, e dessa vez incentivado por outro amigo Neto Gusmão resolvi encara essa tal de meia maratona do Amazonas, 21 km!!!! Só de pensar em descrever o que senti já estou com dores!!! A prova mais dura que pude fazer, em muitos momentos pensei em desistir, em muitas horas me fiz uma pergunta!!! O que to fazendo aqui?? Pra que isso?? Será que valhe a pena esse esforço? Meu Deus isso não acaba!!! E o tempo foi passando e resolvi conversar um pouco com Deus sobre minha vida!!! Agradeci pela bela família que pude construir, por ter uma esposa ao meu lado espetacular, por ter filhos saudáveis, e pedi perdao por muito dos meus erros e das minhas falhas!!! Fizemos alguns treinos mais a noite 19 hs o clima da tarde hoje era outro, e senti muito antes dos 10 km, mais uma vez a vontade de arregar me assolava, olhava os meus amigos passarem e ir ao encontro do fim da prova e meu orgulho me dizia que eu era homem o bastante para suportar as dores no ombro e caimbras na mão esquerda, e fui correndo!!! Quando cheguei aos 15 km não aguentava mais, tava esgotado, no meu limite, vai que surge um anjo da guarda, uma professora do colégio militar que não sei o nome, e que me disse vem comigo que vamos terminar nosso propósito!!! E o ritmo de corrida fluiu, vi que ela tinha dificuldades nas ladeiras e tava ficando para trás, nesse momento era hora de ser solidário a ela, voltei e disse minha parceira vamos cruzar essa faixa juntos, pra minha surpresa minha esposa e meu filho me esperavam no último km, ai meu corpo e meu espírito se encheu de alegria, e o gás que não tinhamos mais apareceu finalizamos nossa prova em 2h e 50 minutos dessa vez de muita luta, lembro de gritos de amigos como Marcos Sombra Sombra, Paulo Gilson Ferraz Afonso, Marcelo Ramos na minha chegada, mais tava meio cego, não comandava minhas ações, vai que acho o Fabiano nosso Biano Carioca, nessa hora as lágrimas eram nosso troféu, umas mistura de dor, e orgulho pela nossa mudança verdadeira de vida, hoje eu dedico essa corrida ao seu Miguel pai do fabiano, nesse momento a figura do seu pai foi o que veio em minha cabeça!!!! A dor é uma coisa que sempre teremos nesse tipo de esporte que agente escolheu de praticar, mais finalizar os desafios, ver que vc é CAPAZ!!! Como meu amigo Fabiano falou: Irmão só nós sabemos o que estamos sentindo!!!! Essa prova nunca vou esquecer!!! Meia maratona do Amazonas!!!! Valeu Seu Miguel essa foi pro senhor!!!! 







Irmãos não pesam

03 de novembro de 2013 | Comentar

(*Artigo publicado no Jornal Dez Minutos na edição do dia 04 de novembro de 2013)

No domingo dia 27.10 participei de um triathlon na qual nadei 1.9km, pedalei 90km e corri 21km em quase 6 horas de prova. Participar foi certamente um dos maiores desafios da minha vida, assim como cruzar a linha de chegada foi uma das maiores alegrias.

Uma prova longa e dura como essa nos dá muitas lições para o corpo e para alma. Mas quero aqui falar de um episódio em especial.

Cheguei muito cedo pra prova, marcada para as 7h da manhã. Arrumei minha bicicleta e todas as coisas que precisamos, como capacete, touca, óculos de natação, tênis de corrida, gels de carboidratos, água. Ainda estava escuro e era uma bela cena aquela de mais de 3 mil pessoas chegando para a competição.

Tudo arrumado, circulei um pouco entre os competidores e uma cena me surpreendeu.

Havia um senhor de pouco mais 50 anos, muito forte e atlético e ao lado dele um garoto de pouco mais de 20 anos com paralisia cerebral. A surpresa não era o porte atlético do senhor, havia muitos como ele por lá. A surpresa era que o garoto na cadeira de rodas tinha touca e óculos de natação nas mãos. Ele participaria da competição.

Pensei em tirar uma foto dos dois. Temi a reação. Fiquei por ali cercando imaginando como era possível alguém como aquele garoto participar de uma prova tão dura e longa. Não encontrei respostas.

Depois de nadar 1.9km, estava na segunda metade dos 90km de ciclismo quando outro lado da pista, ainda na primeira metade, passa aquele senhor pedalando a sua bike puxando o garoto no triciclo. A emoção foi inexplicável. Chorei.

Só quando acabei a prova, fui saber a resposta para a pergunta que me consumiu quando vi aqueles dois. Eram irmãos. O mais velho nada puxando o mais novo num bote, pedala puxando-o no triciclo e corre empurrando-o numa cadeira de rodas.

A pergunta que me martelou a cabeça foi feita para o irmão mais velho. Como era possível? E ele respondeu. “Ele não pesa! Ele é meu irmão!”

É verdade. Irmãos não pesam!

Com amor para aqueles irmãos e também para o Beto, a Glenda e o Rodrigo Ramos. 


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SOBRE O BLOG

O esporte e a atividade física sempre estiveram presentes na minha vida. Desde o futebol de moleque descalço na rua até os anos dedicação ao voleibol que me levaram a ser o levantador da seleção ... LEIA MAIS

MARCELO RAMOS

Advogado pós-graduado em Direito Processual Civil, deputado estadual e autor dos livros "Nossa Luta Diária" e "Velho Baú".

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